Novidades

A eliminação do medo com a EFT

Elimine seus medos!!!

A explicação de como a EFT atua para eliminar um medo já consolidado

 Antes de tudo, vamos explicar como se dá a resposta, no organismo humano, ante um estímulo de  medo e como este se consolida no cérebro.

O medo é uma reação em cadeia que ocorre no cérebro após um estímulo estressante, seja ele interno ou externo, e termina com a liberação de compostos químicos, como a adrenalina e a noradrenalina, além de vários outros hormônios, que causam toda uma alteração no organismo como o aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, dilatação das pupilas, diminuição dos níveis de glicose no sangue, aceleração da respiração e energização dos músculos para a resposta conhecida como “luta” ou “fuga”.

Consolidação da memória

Para que uma memória se consolide no cérebro passando de uma memória de curto prazo, que é lábil (efêmera, passageira) e rapidamente esquecida (como por exemplo, guardar o número de um telefone), para uma memória estável ou de longo prazo, ela precisa passar por um processo que envolve a síntese de proteína na amígdala (pequena estrutura em forma de amêndoa no cérebro, que faz parte do sistema límbico, onde se processa o medo e as emoções). Esse processo de consolidação da memória se dá entre um período de minutos até aproximadamente 12 horas após. Alguns tipos de memória somente se tornam memória de longo prazo com a repetição, sendo mais eficaz se evocados ao longo de alguns dias, pois o sono exerce papel  fundamental na consolidação da memória. Exemplo disso se dá quando temos que decorar um texto ou a tabuada.

Já as experiências geradoras de emoções muito boas ou muito ruins, como o medo, o pavor, ou o prazer e a paixão, têm uma chance muito maior de consolidação sem que, para isso, seja necessário a repetição. Isso porque, do ponto de vista evolutivo do cérebro do ser humano, mostra-se vantajoso armazenar as memórias mais importantes para utilização como referência em experiências futuras. Por isso, podemos, com o tempo, esquecer os detalhes de uma experiência muito boa ou muito ruim que nos aconteceu (memória descritiva ou memória de eventos, armazenada no córtex cerebral), mas não nos esquecemos da emoção (memória emocional, gravada na amígdala) que ela nos proporcionou.

A consolidação da memória  é modulável uma vez que as adquiridas em estado de alerta ou com uma carga emocional alta são lembradas com maior eficácia do que as memórias de eventos ou fatos inexpressivos ou em estado de desatenção. Isso porque no estado de alerta são liberados hormônios  periféricos e neurotransmissores centrais que afetam a memória, consolidando-a mais eficazmente. (McGAUGH, 1988; IZQUIERDO et al., 1988a; IZQUIERDO e PEREIRA, 1989; IZQUIERDO, 1989).

As rotas no cérebro de um estímulo de medo

O estímulo que gera o gatilho do medo percorre dois caminhos no cérebro.

Um caminho maior que se origina no tálamo, através de informações sensoriais recebidas pela visão, audição etc, e se direciona para o neocórtex, onde uma série de circuitos analisa as informações e, por intermédio dos lobos pré-frontais e suas conexões com o hipocampo, compara experiências, enquanto o córtex pré-frontal integra informações sensoriais, culturais e emocionais com o intuito de elaborar uma estratégia de ação em caso de real emergência. Se o processo exige uma resposta emocional, a amígdala (centro emocional do cérebro) dispara o alarme, enviando a informação do perigo ao hipotálamo para que este ative a resposta de “luta” ou “fuga”, ao mesmo tempo que decodifica as emoções, determina o grau de ameaça e armazena as memórias do medo.

O caminho menor também se origina no tálamo que, ao receber os mesmos dados sensoriais citados acima, os envia diretamente à amígdala, que envia ao hipotálamo a reação para “lutar” ou “fugir” sem maiores avaliações. Esse caminho mais curto é de suma importância para nossa própria proteção e sobrevivência porque, em certas situações de vida ou morte, você tem que agir ou reagir em questão de milisegundos. Por exemplo, ao se ouvir o disparo de um tiro, você reage automaticamente, seja abaixando-se, escondendo-se, correndo, ou até reagindo, conforme o caso. O sentimento antecede o pensamento e a racionalização. Nesse caso, essa resposta imediata ativaria toda a reação em cadeia da resposta de “luta” ou “fuga” (palpitação, aumento da pressão arterial etc) e estaria salvando sua vida, sem maiores ponderações.

Por outro lado, se, segundos depois, você percebesse que o barulho não era um tiro, mas sim um pneu estourando, o cérebro, em seu trajeto mais longo e consequentemente mais lento, porém mais criterioso e com uma resposta melhor elaborada, já estaria processando as informações, comparando-as e analisando-as para, logo em seguida, enviar a informação de ausência de perigo à amígdala a fim de amortecer as emoções e as respectivas reações que são provocadas em sequência.

No entanto, se o barulho tivesse sido realmente um tiro, a resposta do cérebro apresentada pelo trajeto mais lento e mais criterioso, da mesma forma que na hipótese anterior havia enviado mensagem à amígdala de que não havia perigo, neste caso, ao contrário, enviaria a informação de perigo à amígdala, que continuaria a sua já iniciada reação à ameaça (realizada de forma imediata pelo caminho mais curto e menos criterioso). Mas neste caso, o estímulo externo que desencadeou o medo, no caso, o tiro, iria ser gravado na amígdala e não no hipocampo, por ter tido a experiência vivenciada uma carga emocional muito forte. Para agravar, caso uma experiência similar já tenha ocorrido anteriormente, as conexões neurais já gravadas na amígdala, durante a experiência anterior, estariam sendo fortalecidas, tornando esse medo específico ainda pior.

Deletando o medo da memória

Agora, após essa explicação da reação que o medo provoca no cérebro e no organismo e como ele é gravado na memória, eu vou explicar como ele pode ser apagado.

Já existem alguns estudos em andamento, na tentativa de se descobrir uma forma de como apagar o medo, ou seja, a lembrança e a emoção do medo diante de determinada situação, uma vez que este pode se tornar crônico ou, ainda, desenvolver uma expectativa futura, resultando em ansiedade e estresse.

Como já explicado anteriormente, a memória precisa ser consolidada e há um prazo para que isso ocorra. Já foram realizados testes que não permitem essa consolidação, como choques eletroconvulsivos ou injeções com substâncias que bloqueiam a síntese de proteína, necessária ao processo de consolidação da memória. Ocorre que esses testes demonstraram que não se apagava somente o medo, mas também os fatos e eventos ocorridos que levaram à geração daquele medo e isso não é nada interessante, afinal, toda experiência, armazenada em nosso cérebro, é que irá ditar, em situações futuras, se você deve ou não se acautelar diante de uma circunstância similar.

Agora, o melhor de tudo

No entanto, a ótima notícia é que a EFT (Emotional Freedom Technique) pode modular esse medo ou até apagá-lo sem, contudo, apagar os fatos ou eventos que geraram o medo. Ou seja, os fatos estarão armazenados no cérebro, no hipocampo, para futuras comparações e contextuações de eventos similares, mas as emoções de medo relacionadas aos fatos, que se encontram armazenadas na amígdala, são atenuadas ou mesmo apagadas.

Isso ocorre porque, na EFT, ao mesmo tempo em que os pontos específicos (meridianos) são estimulados através de leves batidinhas, vai-se conversando, discorrendo sobre o medo específico, sua origem, suas características, os sintomas físicos relacionados e, à medida que se vai relatando sobre o medo ou sobre o episódio responsável pelo desencadeamento deste, o mesmo sentimento relacionado aos fatos que estão sendo expostos são trazidos à tona. Com isso a amígdala é novamente ativada, como se o evento estivesse ocorrendo. No entanto, ao estimular os pontos específicos da EFT, a amígdala se desestimula e pode ser realizada uma ressignificação daquele evento e da emoção relacionada a ele, apagando a memória dessa emoção que, nesse caso em que estamos discutindo, é o medo.

Lembra acima quando falei das pesquisas sobre tratamentos para apagar as memórias de medo? Pois bem! Nessas mesmas pesquisas, os neurocientistas descobriram que quando se recupera essa memória do medo, que faz com que a amígdala reaja se reativando, essa memória já consolidada volta a se tornar lábil, frágil, exigindo nova reconsolidação para se manter gravada. Para que essa nova reconsolidação aconteça, é necessário uma nova síntese das proteínas envolvidas nos neurônios, tanto é que os tratamentos mencionados anteriormente que conseguem bloquear a gravação da memória do medo no cérebro teriam eficácia também neste momento. Mas novamente iríamos esbarrar no mesmo problema de, ao se apagar a emoção, apagar também os eventos, provocando uma amnésia que, em termos de sobrevivência, nem sempre é o mais indicado.

No entanto, com a EFT, após a recuperação da memória através da conversa e da reavivação dos fatos, a amígdala é reativada e a memória do medo recuperada da amígdala retorna ao seu estado lábil. Assim, as batidinhas nos pontos dos meridianos desativam a reação da amígdala, bloqueando a nova reconsolidação da memória sem, contudo, esquecer os fatos ocorridos.

Resumindo, os fatos continuam gravados no hipocampo para comparações utéis no futuro, mas a emoção do medo referente a esses fatos é apagada da amígdala. Ou seja, a pessoa será capaz de relembrar os fatos mas estes não terão mais a mesma carga emocional, seja porque o medo desapareceu por completo, seja porque foi atenuado.

Referências:

As partes do cérebro envolvidas na Fight or Flight. Disponível em: <http://www.365saude.com.br/pt-mental-health/pt-stress-management/1009067432.html>. Acesso em: 10 fev. 2016.

GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional: A teoria revolucionária que define o que é ser inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996. 372 p.

IZQUIERDO, Ivan. Memórias. 1989. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141989000200006>. Acesso em: 20 fev. 2016.

IZQUIERDO, I. 1984. Endogenous state dependency: memory depends on the neurohumoral and hormonal states present after training and at the time of testing. In: LYNCH, G., McGAUGH, J. L. e WEINBERGER, N. M., eds. Neurobiology of learning and memory. New York, Guilford Press, p. 65-77.

NADER, Karim; SCHAFE, Glenn E.; DOUX, Joseph E. Le. Fear memories require protein synthesis in the amygdala for reconsolidation after retrieval. 2000. 1. W. M. Keck Foundation Laboratory of Neurobiology, Center for Neural Science, New York University, New York, New York 10003, USA. Disponível em: <http://www.healthemotions.org/downloads/pitman4.pdf>. Acesso em: 30 jan. 2016.

R., Stickgold; MP., Walker. Memory consolidation and reconsolidation:. Trends In Neurosciences Journal: what is the role of sleep?, Rockville Pike, p.408-415, 28 ago. 2005. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15979164>. Acesso em: 18 jan. 2016.